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Aplicativo próprio para vender conteúdo vale a pena?

Aplicativo próprio para vender conteúdo esbarra em três muros, e o primeiro não é a taxa. Veja o que as lojas publicam e o que fazer no lugar.

Ilustração de um aplicativo diante de um portão fechado, com uma seta desviando para uma passagem aberta ao lado

Toda operação que passa de um certo tamanho considera a mesma ideia: em vez de vender por link e entregar por mensagem, ter um aplicativo próprio para vender conteúdo, com a sua marca, na loja do celular. A pergunta costuma vir montada como uma conta: será que a comissão da loja compensa?

Resposta primeiro: para este nicho, a conta da comissão nunca chega a acontecer, porque existe um muro antes dela. A política de conteúdo das duas grandes lojas barra o produto na entrada. A comissão é o segundo muro, e só interessa a quem passou pelo primeiro.

Este artigo mostra o texto publicado pelas duas lojas, na ordem em que os obstáculos aparecem, calcula o custo fixo que existe antes da primeira venda, diz honestamente em que casos o app próprio faz sentido, e fecha com o trilho que não depende de aprovação de ninguém.

Aplicativo próprio para vender conteúdo: os três muros, em ordem

Resposta primeiro: admissão, comissão e manutenção. Nessa ordem, e não na ordem inversa em que as pessoas pensam.

Os três muros de um aplicativo próprio nas lojas, e o desvio pelo trilho web Diagrama em três etapas. O primeiro muro é a admissão: a política de conteúdo das lojas barra o app antes de qualquer outra discussão. O segundo muro é a comissão de 15% ou 30% sobre a compra feita dentro do app. O terceiro é a manutenção, com 99 dólares por ano de associação de desenvolvedor mais o custo de desenvolvimento. Uma marcação indica que, para este nicho, o caminho é interrompido já no primeiro muro. Abaixo, uma rota alternativa mostra que a venda por página web com entrega em aplicativo de mensagens não passa por nenhum dos três. Os três muros, na ordem em que aparecem 1. Admissão política de conteúdo das duas lojas 2. Comissão 15% ou 30% da compra dentro do app 3. Manutenção licença anual mais o time técnico Para este nicho o caminho termina aqui, antes de a taxa virar assunto. Venda em página web, entrega por mensagem nenhum dos três muros se aplica Fontes: App Store Review Guidelines e políticas do Google Play, citadas no corpo do artigo.
Diagrama deste artigo. A ordem importa: quase toda discussão pública sobre app próprio começa no muro 2 e ignora que o muro 1 já decidiu a questão.

O erro clássico é montar uma planilha comparando 15% de comissão com a taxa do seu meio de pagamento atual, concluir que a diferença é aceitável e só então descobrir que o app não seria aprovado. A planilha estava certa; a pergunta estava na ordem errada.

Muro 1: o que as duas lojas publicam sobre esse conteúdo

Resposta primeiro: as duas dizem não, com palavras diferentes e o mesmo efeito.

A Apple trata o assunto na primeira seção das App Store Review Guidelines. A diretriz 1.1.4 lista como conteúdo censurável "Overtly sexual or pornographic material, defined as 'explicit descriptions or displays of sexual organs or activities intended to stimulate erotic rather than aesthetic or emotional feelings'".

A diretriz 1.2, sobre conteúdo gerado por usuários, fecha a outra porta, a do app que não nasce com o conteúdo mas passa a ser usado para ele: "Apps with user-generated content or services that end up being used primarily for pornographic content, Chatroulette-style experiences, random or anonymous chat, objectification of real people (e.g. 'hot-or-not' voting), making physical threats, or bullying do not belong on the App Store and may be removed without notice."

A expressão que interessa é a última: may be removed without notice. Não é só barreira de entrada, é risco permanente depois de aprovado.

Do outro lado, a política de conteúdo sexual e linguagem obscena do Google Play diz, em português: "Não permitimos apps no Google Play que tenham ou promovam conteúdo sexual ou linguagem obscena. Isso inclui pornografia e conteúdo ou serviços com o objetivo de satisfação sexual ou de solicitar atos sexuais em troca de compensação."

A política completa acrescenta duas exceções, e vale ler com atenção porque é onde as pessoas se agarram. A primeira vale para app com nudez cujo objetivo principal seja "educativo, documental, científico ou artístico (EDCA)", desde que o conteúdo seja "contextualmente justificado e tenha um propósito". A segunda é para apps de catálogo, e vem com quatro condições cumulativas, entre elas que os títulos com conteúdo sexual "representam uma fração pequena do catálogo geral do app" e que "o app não promove ativamente" esses títulos.

O caso de borda é justamente esse: um app cujo produto é o acervo de um criador não é catálogo geral com uma fração pequena, e não é finalidade documental. As exceções existem, mas foram escritas para outra coisa.

Muro 2: a comissão incide onde está a sua receita

Resposta primeiro: sobre a compra feita dentro do app, que é exatamente o que você quer vender.

A Apple publica na página do Small Business Program uma comissão reduzida "of 15% on paid apps and In-App Purchases", disponível para quem fez até 1 milhão de dólares em proceeds no ano anterior e para quem está começando. Passando desse teto no ano corrente, "the standard commission rate will apply to future sales".

O Google Play publica a mesma lógica na página de taxas de serviço: 15% sobre o primeiro milhão de dólares de receita anual do desenvolvedor, 30% sobre o que exceder, e 15% para produtos por assinatura com renovação automática.

Aqui vale corrigir um exagero comum. Quase todo texto sobre lojas cita 30%, e para a esmagadora maioria dos criadores esse número está errado: quem fatura abaixo de 1 milhão de dólares por ano paga 15% nas duas. A comparação honesta é 15%, não 30%.

Mesmo assim, 15% é um percentual, e percentual se comporta muito diferente de taxa fixa conforme o ticket sobe. Essa comparação específica, com a conta feita, é o assunto de taxa fixa contra taxa percentual, e a tabela dos concorrentes está em comparativo de taxas de bots de venda.

Muro 3: o custo fixo antes da primeira venda

Resposta primeiro: existe uma conta que roda mesmo com faturamento zero.

O Apple Developer Program custa 99 dólares "per membership year" e é exigido para distribuir na App Store. A conta de desenvolvedor do Google Play cobra, segundo a documentação do Play Console, "uma taxa de inscrição única de US$ 25,00".

Somando: 124 dólares no primeiro ano e 99 por ano daí em diante, só para ter o direito de tentar. Isso não inclui uma linha de código.

E o custo real não está aí. Está em manter dois aplicativos vivos, em duas linguagens, com atualizações obrigatórias quando os sistemas operacionais mudam, revisão a cada nova versão e suporte para bugs que acontecem em aparelhos que você não tem. Quem já pensou em manter a própria infraestrutura de bot reconhece a estrutura do problema, detalhada em quanto custa manter um bot próprio: o custo visível é a licença, o custo que dói é o tempo recorrente.

Quando o aplicativo próprio faz sentido

Resposta primeiro: quando o produto passa no muro 1 e o volume paga o muro 3.

Existem casos legítimos, e ignorá-los seria desonesto:

  • Conteúdo que se enquadra fora da política restritiva. Um app de aulas, de comunidade profissional ou de acervo educativo não esbarra no muro 1. Aí a discussão volta a ser econômica, e é uma discussão válida.
  • Operação com marca forte e base grande. Se o app é vitrine institucional e a venda acontece fora dele, a comissão não incide sobre nada e o custo vira marketing.
  • Produto que depende de recurso nativo. Notificação rica, download offline com proteção, integração com o sistema. Se o seu diferencial exige isso, o app deixa de ser vaidade.

O contra-argumento que fecha o tema: mesmo nesses casos, o app é um canal adicional. Ninguém que vende bem hoje precisa trocar o trilho que funciona por um trilho que depende de aprovação de terceiro. E vale lembrar que a mesma lógica de dependência de plataforma já derrubou muita operação por outro caminho, o do banimento de conta, tratado em plano de continuidade quando a conta cai.

O que usar no lugar

Resposta primeiro: página web para vender, aplicativo de mensagens para entregar.

Essa combinação não passa por nenhum dos três muros. Não existe revisão de loja, não existe comissão de loja e não existe licença anual. O que existe é a taxa de quem processa o pagamento, que é um custo de meio de pagamento e não de distribuição.

Se a dúvida for se você precisa de um site inteiro para isso, a resposta está em precisa de site para vender no Telegram. Se a comparação for com uma área de membros hospedada, o assunto é Telegram ou área de membros. E se a comparação for com vender direto nas redes, Instagram contra Telegram mostra por que a economia muda tanto.

Erros comuns

  • Começar a conta pela comissão. O muro 1 decide antes, e a planilha vira trabalho perdido.
  • Contar com as exceções da política do Google Play. Elas exigem condições cumulativas escritas para catálogo geral e finalidade documental.
  • Achar que aprovação é permanente. A diretriz 1.2 da Apple fala em remoção sem aviso prévio.
  • Orçar só o desenvolvimento. A licença anual e a manutenção recorrente costumam custar mais que a primeira versão.
  • Usar 30% como taxa de referência. Abaixo de 1 milhão de dólares por ano, as duas lojas publicam 15%.
  • Trocar o trilho que funciona pelo app. Canal novo se soma, não substitui.

Conclusão

Aplicativo próprio para vender conteúdo é uma boa pergunta feita na ordem errada. Antes da comissão de 15% e antes dos 99 dólares por ano de licença, existe uma política de conteúdo que as duas lojas publicam abertamente e que barra esse tipo de produto na entrada, com a Apple reservando ainda o direito de remover sem aviso. Para quem se enquadra fora dessa política, a discussão econômica é legítima. Para quem não se enquadra, o app não é caro, é indisponível.

O próximo passo é concreto: em vez de orçar um aplicativo, olhe quanto do seu faturamento hoje vai embora em taxa e quanto do seu tempo vai embora em operação manual. É nesses dois números que existe ganho real e imediato. Veja quanto custa vender no Telegram, confira o preço da Afroditte e, se fizer sentido, crie sua conta para vender e entregar sem depender da aprovação de nenhuma loja.

Perguntas frequentes

Posso publicar na App Store um aplicativo de conteúdo adulto?

Não. A diretriz 1.1.4 da App Store Review Guidelines lista material sexual explícito ou pornográfico como conteúdo censurável, e a diretriz 1.2 diz que apps de conteúdo gerado por usuários que acabam sendo usados principalmente para conteúdo pornográfico não pertencem à App Store e podem ser removidos sem aviso.

E na Google Play, existe alguma exceção?

Existe, mas não para este caso. A política de conteúdo sexual do Google Play abre exceção para nudez com finalidade educativa, documental, científica ou artística, e para apps de catálogo em que títulos com conteúdo sexual sejam uma fração pequena do acervo e não sejam promovidos ativamente. Um app cujo produto principal é esse conteúdo não se encaixa em nenhuma das duas.

Quanto as lojas cobram de comissão?

A Apple divulga 15% no Small Business Program, para quem faturou até 1 milhão de dólares no ano anterior, e a taxa padrão acima disso. O Google Play publica 15% sobre o primeiro milhão de dólares de receita anual, 30% acima disso, e 15% para assinaturas com renovação automática.

Quanto custa manter o app nas lojas antes de vender qualquer coisa?

O Apple Developer Program custa 99 dólares por ano de associação e é exigido para distribuir na App Store. A conta de desenvolvedor do Google Play tem taxa de inscrição única de 25 dólares. Isso é só a licença, sem contar o desenvolvimento e a manutenção do app.

Se eu cobrar fora do app, escapo da comissão?

Essa é a área mais instável de todas, porque as regras sobre link de pagamento externo mudaram em vários países nos últimos anos e continuam em disputa. Construir um negócio inteiro sobre uma brecha de regra de loja é apostar em algo que você não controla.

Um aplicativo próprio não passa mais credibilidade?

Passa, e esse é o argumento honesto a favor. Mas ele só se aplica se o app conseguir ser publicado e permanecer publicado. Credibilidade que depende de aprovação de terceiro é frágil, e a remoção pode acontecer sem aviso.

Qual é a alternativa que não depende de loja?

Uma página web de venda somada à entrega dentro de um aplicativo de mensagens. Nenhuma loja aprova, nenhuma loja pode remover e a comissão não existe: o custo vira apenas a taxa de quem processa o pagamento.

Vale a pena fazer o app depois que a operação crescer?

O tamanho não muda a política de conteúdo, que é o primeiro muro. Se o produto continuar sendo o mesmo, crescer só aumenta o custo de descobrir que ele não pode ser publicado.

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