Pix fora do ar: quantas horas por mês a regra permite
Pix fora do ar não é exceção: a meta do Banco Central vai de 99,5% a 95% ao mês. Veja quantas horas isso dá e o que fazer enquanto a queda dura.

📚 Este artigo faz parte do guia PIX para criadores: como receber pagamentos automáticos.
Você anuncia a abertura do VIP para as 20h, a fila chega, e às 20h10 começam as mensagens: "o QR não gera", "deu erro no banco", "tentei três vezes". Nesse momento a pergunta parece ser o que aconteceu. A pergunta útil é outra: Pix fora do ar é um acidente raro ou algo que a própria regra do sistema já previa que ia acontecer?
Resposta primeiro: a norma prevê. O Manual de Tempos do Pix, publicado pelo Banco Central, fixa metas mensais de disponibilidade que vão de 99,5% a 95,0%, conforme o tamanho do participante. Nenhuma delas é 100%. Traduzido em relógio, o intervalo tolerado vai de 3 horas e 36 minutos a 36 horas paradas por mês, e quem processa o seu dinheiro tem uma dessas metas, não a sua expectativa.
Este artigo mostra o número exato por categoria, o que a meta deixa de fora (e por isso a sua sensação é pior que o índice), como descobrir de quem é a queda e o que fazer nos minutos em que ela dura.
Quantas horas por mês o Pix pode ficar fora do ar
Resposta primeiro: depende do tamanho de quem processa, e a diferença entre o maior e o menor é de dez vezes.
O Manual de Tempos do Pix, na versão 7.0, define o índice de disponibilidade como o índice que expressa, em termos percentuais, o grau de disponibilidade da infraestrutura necessária para prestar o serviço do Pix aos usuários finais. A conta é simples: horas de efetivo funcionamento divididas pelas horas em que o serviço deveria estar aberto, considerando funcionamento normal de 24 horas por dia, todos os dias do ano. A apuração é mensal.
As categorias saem do volume. Participantes com mais de 2,0% do total de transações liquidadas no ano anterior ficam na categoria A; entre 2,0% e 0,5%, na B; entre 0,5% e 0,1%, na C; os demais, na D. O Banco Central divulga o somatório do ano anterior no primeiro trimestre, e a categoria vale de julho do ano corrente a junho do seguinte.
| Categoria | Meta mensal | Tempo parado tolerado |
|---|---|---|
| A | 99,5% | 3h36 |
| B | 99,0% | 7h12 |
| C | 98,5% | 10h48 |
| D | 95,0% | 36h00 |
Antes de qualquer conclusão apressada: a categoria D não significa instituição ruim, significa instituição pequena no volume total do Pix. Muita fintech boa está lá. O que o número diz é outra coisa, e é a que interessa a quem vende: o compromisso formal do seu recebedor pode ser dez vezes mais frouxo que o do banco grande do seu assinante, e nenhum dos dois promete 100%.
O que a meta não cobre (e por isso a sua sensação é pior)
Resposta primeiro: o índice do participante exclui a queda dos sistemas centrais e a falha do celular do comprador. A sua venda não exclui nada disso.
O manual lista as exclusões do cálculo com todas as letras. Não deve ser considerada no índice a indisponibilidade decorrente de instabilidade no SPI, no DICT, na Rede do Sistema Financeiro Nacional ou em qualquer outro componente da infraestrutura sob responsabilidade do Banco Central. Também não entra a indisponibilidade decorrente de falha de conectividade do usuário final, do dispositivo dele ou dos aplicativos instalados nele. E não entram transações rejeitadas por falta de liquidez do participante, porque o índice considera apenas aspectos técnicos do serviço transacional.
O que entra é amplo do outro lado: o índice deve refletir o efeito conjunto de todas as partes que afetem a entrega do serviço e que sejam de responsabilidade do participante ou de seus parceiros, incluídos o provedor de serviços de tecnologia da informação e o eventual liquidante, independentemente da origem da indisponibilidade.
Os sistemas centrais têm metas próprias, e mais apertadas. O índice de disponibilidade do SPI tem meta de 99,9%. No DICT, a meta é 99,9% para consulta de chaves e 99,8% para as demais operações.
Há um detalhe de definição que explica muita reclamação sem registro. Para o SPI e para o DICT, considera-se indisponibilidade a situação em que um percentual igual ou superior a 80% das requisições é respondido com erro causado por eles, e que persista por mais de 36 segundos no SPI e por mais de 30 segundos no DICT. Uma instabilidade que derruba metade das cobranças, portanto, pode não caber nessa definição. Do seu lado, metade das cobranças perdidas é metade do faturamento da noite.
Como saber de quem é a queda
Resposta primeiro: teste em três camadas, de dentro para fora, antes de culpar o seu bot.
- A sua própria cobrança. Gere um QR de teste com valor mínimo pela sua ferramenta. Se o código nasce, a camada de geração está viva.
- O banco de quem paga. Peça a dois assinantes de instituições diferentes que tentem. Se falha em uma e passa na outra, o problema é do participante daquele lado, não seu.
- O seu recebedor. Faça um Pix de valor pequeno de outra conta sua para a chave que recebe as vendas. Se ele não entra, o problema está em quem guarda o seu dinheiro.
Existe um apoio regulatório para essa investigação, e quase ninguém usa. Os Requisitos Mínimos para a Experiência do Usuário do Pix, na versão 7.3, obrigam o aplicativo de quem paga a ser honesto sobre a origem da falha: na ocorrência de erros de liquidação associados ao processamento, indisponibilidade do participante ou limite de tempo extrapolado, "deve ficar claro ao usuário que o erro decorre do próprio PSP". O mesmo documento manda informar o pagador quando houver falha de comunicação com o DICT. Traduzindo para a sua noite de vendas: quando o comprador manda o print da mensagem de erro, essa mensagem já deveria dizer de quem é o problema. Peça o print antes de assumir a culpa.
Guarde o horário de início e de fim de cada teste. Esse registro serve para duas coisas: reclamar com base em fato junto ao seu provedor, e separar queda de infraestrutura de um problema no seu fluxo. Quando o pagamento acontece mas o acesso não é liberado, o diagnóstico é outro, e ele está mapeado em pagou e não entrou no grupo VIP.
Quanto uma queda custa quando as vendas não são uniformes
Resposta primeiro: o custo não é proporcional ao tempo, é proporcional à hora em que a queda cai.
O erro de leitura mais comum é dividir a perda pelo mês. Se você faz 200 vendas em 720 horas, isso dá 0,28 venda por hora, e 3 horas e 36 minutos parados custariam 1 venda. É o cálculo que faz a indisponibilidade parecer irrelevante.
Só que venda de criador não é uniforme. Considere um lançamento em que 40% das vendas do mês, ou seja 80 vendas, acontecem em uma janela de 4 horas. Nessa janela, o ritmo é de 20 vendas por hora. As mesmas 3 horas e 36 minutos de queda, se caírem ali dentro, custam 72 vendas.
Setenta e duas contra uma, com exatamente o mesmo tempo de queda. É por isso que a defesa mais barata não é técnica, é de calendário: quanto mais concentrada a sua receita em uma janela curta, mais cara fica cada hora de instabilidade. Abrir a venda por 48 horas em vez de 4 não muda a disponibilidade de ninguém, mas divide o risco por doze.
O roteiro dos 30 minutos de queda
- Avise antes de perguntarem. Uma mensagem no canal, dizendo que o pagamento está instável e que a oferta continua válida, evita a leitura de golpe.
- Estenda o prazo publicamente. Se a oferta tinha hora para acabar, prorrogue e diga em quanto. Isso preserva a promessa sem inventar exceção caso a caso.
- Não libere acesso por comprovante. Print não é confirmação. Durante instabilidade a confirmação chega atrasada, e o acesso liberado por print vira entrega sem recebimento.
- Monte a fila de conferência. Anote quem disse que pagou, com horário. Quando o sistema voltar, você concilia em minutos em vez de garimpar.
- Reabra com um empurrão. Quando voltar, avise no mesmo canal. Boa parte da fila não tenta de novo por conta própria.
O que exigir de quem processa o seu Pix
Resposta primeiro: pergunte pelo comportamento na falha, não pela promessa de que ela não acontece.
Três perguntas separam um fornecedor pronto de um fornecedor otimista:
- O que acontece com a cobrança gerada durante a queda? Ela expira, fica pendente ou é reprocessada quando o sistema volta? A resposta muda quanto da sua fila você recupera.
- A confirmação é reprocessada sozinha? Se a notificação de pagamento falhou, o sistema tenta de novo? Sem isso, cada queda vira trabalho manual seu.
- Existe registro do que aconteceu? Um histórico com horário permite discutir com fato. Sem histórico, cada episódio vira palavra contra palavra.
Vale ainda a pergunta estrutural, que é a de arquitetura da sua operação: quantas instituições precisam funcionar ao mesmo tempo para você receber? Depender de um caminho único tem custo próprio, tratado em o risco da conta única no recebimento. E o tempo entre a venda e o dinheiro disponível é um relógio diferente do da disponibilidade, mapeado em prazo para receber o dinheiro da venda.
Erros comuns
- Tratar instabilidade como exceção. A norma orça o tempo parado. Operação madura tem plano para ele.
- Prometer disponibilidade total ao assinante. Ninguém na cadeia promete 100%, então não prometa você.
- Liberar acesso por print durante a queda. É o erro mais caro do roteiro.
- Concentrar a receita em uma janela de poucas horas. Multiplica o custo de qualquer minuto parado.
- Culpar o bot antes de testar as três camadas. Trocar de ferramenta por causa de uma queda do participante não resolve nada.
- Não registrar horários. Sem registro, você não consegue nem reclamar nem conciliar.
Conclusão
Pix fora do ar não é falha de exceção, é um intervalo previsto: entre 3 horas e 36 minutos e 36 horas por mês, conforme a categoria de quem processa, e sem contar as quedas dos sistemas centrais, que têm metas separadas de 99,9% e 99,8%. Aceitar esse número muda a pergunta certa, que deixa de ser "por que caiu" e passa a ser "quanto da minha receita estava dependendo daquela hora".
O próximo passo é de meia hora e vale para o ano inteiro: escreva a mensagem de aviso que você vai publicar na próxima queda, decida agora até quando a oferta se estende quando isso acontecer, e crie o lugar onde vai anotar a fila de conferência. Pronto uma vez, o episódio deixa de ser crise e vira procedimento.
E vale reduzir os pontos que podem falhar entre a venda e o seu dinheiro. Na Afroditte, a cobrança é PIX direto na sua conta, com taxa fixa de R$ 0,69 por transação e sem mensalidade, e o acesso ao grupo só é liberado depois da confirmação do pagamento. Crie sua conta e mantenha o caminho da venda curto.
Perguntas frequentes
O Pix pode ficar fora do ar dentro da regra?
Pode. O Manual de Tempos do Pix, publicado pelo Banco Central, fixa metas mensais de índice de disponibilidade por categoria de participante: 99,5%, 99,0%, 98,5% e 95,0%. Nenhuma delas é 100%, então existe um tempo parado previsto na própria norma.
Quantas horas por mês isso representa?
Em um mês de 30 dias, que tem 720 horas, a meta de 99,5% admite 3 horas e 36 minutos parados, a de 99,0% admite 7 horas e 12 minutos, a de 98,5% admite 10 horas e 48 minutos e a de 95,0% admite 36 horas. É cálculo direto sobre o percentual da norma.
O que define a categoria do participante?
O volume. O manual separa por participação na quantidade de transações Pix liquidadas no ano anterior: acima de 2% é categoria A, entre 2% e 0,5% é B, entre 0,5% e 0,1% é C, e os demais ficam na D. O Banco Central divulga o somatório no primeiro trimestre e a categoria vale de julho a junho.
A queda do próprio sistema do Banco Central entra na conta?
Não entra no índice do participante. O manual diz expressamente que não deve ser considerada a indisponibilidade decorrente de instabilidade no SPI, no DICT, na Rede do Sistema Financeiro Nacional ou em qualquer componente sob responsabilidade do Banco Central. Esses sistemas têm metas próprias.
Qual é a meta do sistema central?
O índice de disponibilidade do SPI tem meta de 99,9%. No DICT, a meta é 99,9% para consulta de chaves e 99,8% para atualização. São indicadores calculados mensalmente, com janela móvel.
Uma instabilidade parcial conta como indisponibilidade?
Para o SPI e para o DICT, não necessariamente. O manual define indisponibilidade desses sistemas como a situação em que um percentual igual ou superior a 80% das requisições é respondido com erro causado por eles, e que persista por mais de 36 segundos no SPI e mais de 30 segundos no DICT.
O que fazer com o cliente que pagou durante a queda?
Confirmar o pagamento na fonte antes de liberar qualquer acesso, nunca pelo comprovante enviado. Durante instabilidade a confirmação pode chegar atrasada, e liberar por print é o caminho mais curto para entregar acesso sem receber.
Vale a pena ter um segundo meio de cobrança?
Vale quando a sua receita depende de janelas curtas, como lançamento e campanha. Um segundo trilho não elimina a queda, mas tira o seu faturamento do refém de uma única instituição. O risco de depender de um caminho só é assunto de artigo próprio.
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