Vender no Telegram

Post patrocinado no Telegram: quanto cobrar pelo seu canal

Post patrocinado no Telegram: como funciona o post sugerido, por que o pagamento só cai 24 horas depois e como calcular o preço mínimo do seu espaço.

Ilustração de um balão de mensagem com selo de aprovação ao lado de um relógio e uma moeda, em tons de índigo, violeta e rosa

Uma hora o convite chega: alguém que acompanha o seu canal manda uma mensagem perguntando quanto você cobra para publicar um post. Aí começa o improviso. Você chuta um valor, a pessoa acha caro, você aceita metade, publica, e no fim ninguém sabe direito o que foi combinado nem por quanto tempo o post fica no ar. Post patrocinado no Telegram não precisa ser assim: existe um mecanismo oficial com preço editável, aprovação sua e um relógio embutido que resolve a parte mais chata da negociação.

Este artigo trata de duas coisas que costumam andar separadas: como o recurso de posts sugeridos funciona de fato, e como chegar a um preço que não seja chute. A comparação entre ganhar com anúncio e ganhar vendendo acesso já tem dono e está em monetizar canal do Telegram com anúncio; aqui a pergunta é outra, mais estreita e mais prática: quando alguém quer comprar o seu espaço, quanto vale esse espaço e o que você precisa checar antes de dizer sim.

Como funciona o post sugerido

Resposta primeiro: o inscrito propõe o post e oferece o pagamento, você edita o que quiser (inclusive o preço) antes de aceitar, e o dinheiro só é seu 24 horas depois da publicação.

O recurso foi anunciado pelo próprio Telegram na atualização de listas de tarefas e posts sugeridos, de 1º de julho de 2025. Vale destrinchar o que o anúncio descreve, porque cada detalhe muda a negociação:

  • Quem propõe. Inscritos enviam conteúdo para os canais como posts sugeridos, por mensagem direta, numa interface automatizada. O anúncio cita desde arte de fã até vídeo promocional e resenha de produto.
  • O que oferecem. Quem propõe pode oferecer Telegram Stars ou Toncoin ao dono do canal em troca da publicação.
  • Quando publica. Quem propõe pode definir data e hora específicas ou deixar em aberto, para o dono decidir quando.
  • O que você pode mudar. O dono pode sugerir edições antes de aceitar, alterando texto, mídia e também o preço. Depois de aceito, o post é publicado na hora ou agendado.
  • Quando o dinheiro cai. O dono recebe 24 horas depois da publicação. Se o post for removido antes disso, o Telegram devolve o valor integral a quem pagou.

Repare no que o último item faz sozinho. Ele resolve, sem contrato, a discussão mais comum desse tipo de acordo: por quanto tempo o post fica no ar. Não existe combinar "deixa umas horinhas" e apagar. A permanência mínima é parte do mecanismo, e ela protege os dois lados: o anunciante tem garantia de que não pagou por um post relâmpago, e você tem uma regra objetiva para responder quando pedirem para tirar antes.

Sobre o meio de pagamento, o anúncio é explícito ao dizer que o Toncoin é mais seguro para quem recebe, porque pagamento em Toncoin não pode ser reembolsado pelo comprador, enquanto o pagamento em Stars tem janela de reembolso por meio de provedores terceiros. O que os Stars significam depois, na hora de virar dinheiro na sua conta, é assunto de Telegram Stars ou PIX, que trata do caminho completo até o saque.

O relógio de 24 horas muda a conversa

Resposta primeiro: a janela de permanência transforma uma negociação de confiança numa negociação de preço, e é isso que torna o preço discutível.

Antes desse mecanismo, a maior parte do combinado dependia de reputação: você prometia publicar, prometia deixar no ar, o outro prometia pagar. Cada promessa dessas era um risco que alguém precisava aceitar, e risco sempre aparece no preço, quase sempre para baixo.

Com o relógio embutido, três coisas saem da mesa de uma vez: se você apagar antes das 24 horas, não recebe; se você aceitar, o valor está travado no que foi aceito; e se você não gostar da proposta, edita antes em vez de discutir depois. Sobrou uma pergunta só, que é a que interessa: quanto vale o espaço.

Contra-argumento honesto: 24 horas não é pouco para um canal ativo. Se você publica três vezes por dia, o post do anunciante vai conviver com seis publicações suas, e o topo do canal fica ocupado logo depois. O que a regra garante é permanência, não destaque. Se o combinado envolvia ficar fixado no topo, isso é uma promessa sua, fora do mecanismo, e você precisa cumpri-la à mão.

Quanto vale um post do seu canal

Resposta primeiro: o piso do preço é o que aquele espaço já rende quando você usa ele para vender o seu próprio produto.

O raciocínio é de custo de oportunidade e cabe em uma divisão. Pegue a receita que o canal gera num mês e divida pelo número de posts de oferta que você publicou nesse mês. O resultado é quanto cada post de oferta carrega, em média, e é o valor que você deixa de ganhar ao entregar um desses lugares para outra pessoa.

Um exemplo trabalhado. Um canal gratuito que funciona como vitrine gera R$ 2.400 por mês em vendas de acesso, com seis posts de oferta no período. Cada post de oferta carrega R$ 400. Se alguém oferece R$ 150 para ocupar um desses espaços, a proposta não é ruim porque R$ 150 é pouco dinheiro: ela é ruim porque custa R$ 400 e paga R$ 150.

Quanto vale um post do seu canal conforme a frequência de ofertaGráfico de barras horizontais mostrando o valor médio de cada post de oferta num canal que gera dois mil e quatrocentos reais por mês. Com dois posts de oferta no mês, cada um carrega mil e duzentos reais. Com quatro posts, seiscentos reais. Com seis posts, quatrocentos reais. Com oito posts, trezentos reais. Quanto maior a barra, mais vale cada espaço do canal. Quanto vale cada post do canal (maior é melhor) 2 posts de oferta R$ 1.200 4 posts de oferta R$ 600 6 posts de oferta R$ 400 8 posts de oferta R$ 300 Canal que gera R$ 2.400 por mês em vendas de acesso. A barra destacada é o exemplo usado no texto.
Cálculo próprio: receita mensal do canal dividida pelo número de posts de oferta publicados no mês.

O gráfico traz uma conclusão desconfortável para quem posta oferta o tempo todo. Quanto mais você satura o canal com as suas próprias vendas, menos vale cada espaço individual, e mais barato fica vender um deles. Um canal com dois posts de oferta por mês tem espaço caro; um canal que empurra oferta oito vezes por mês tem espaço barato, e a conta explica por quê: o mesmo bolo dividido em mais pedaços.

Três ajustes que o piso não inclui e que costumam justificar cobrar acima dele:

  1. Exclusividade. Não publicar outro patrocinado por alguns dias custa mais do que um espaço, custa a fila inteira daquele período.
  2. Formato. Post fixado, com mídia produzida por você ou com sua recomendação pessoal não é o mesmo produto que republicar um texto pronto. Recomendação pessoal gasta a sua reputação, e isso não tem preço de tabela.
  3. Contexto. Um post que compete com a sua própria campanha de lançamento vale mais caro naquele dia específico, porque o custo de oportunidade daquela data é maior que a média do mês.

O que checar antes de aceitar

Resposta primeiro: o preço resolve o custo de oportunidade, não o risco de reputação, e é o segundo que derruba canal.

Tipo de proposta O que fazer
Concorrente direto Recusar
Promessa de ganho fácil Recusar
Link para fora sem página clara Editar ou recusar
Produto fora do tema do canal Editar o texto
Marca ou serviço do seu nicho Aceitar pelo piso
Colega com produto complementar Negociar troca

Duas linhas merecem explicação. A primeira é concorrente direto: pode parecer dinheiro fácil, mas você passou meses construindo aquela audiência e vai entregar a parte mais engajada dela para alguém converter com uma oferta parecida com a sua. Nenhum valor de post paga a assinatura que você deixa de vender pelos meses seguintes.

A segunda é promessa de ganho fácil. Publicar no seu canal é assinar embaixo, mesmo sem assinar nada: quem vê o post vê você recomendando. Se a promessa não se cumpre, a reclamação chega para você, não para o anunciante que sumiu. Vale lembrar que o seu próprio regramento com o assinante, tratado em termo de uso para venda de conteúdo digital, não cobre o que um terceiro prometeu no seu canal.

Post sugerido, anúncio ou combinar por fora

Resposta primeiro: são três caminhos com garantias diferentes, e o mais informal é o único sem nenhuma.

  • Post sugerido. Você define o preço, aprova o conteúdo e tem a janela de 24 horas como garantia automática dos dois lados. O pagamento chega em Stars ou Toncoin, então ainda existe o caminho até virar dinheiro na sua conta.
  • Programa de anúncios. Segundo o anúncio oficial de compartilhamento de receita, donos de canais públicos com pelo menos mil inscritos recebem 50% da receita dos anúncios exibidos neles, e na plataforma de anúncios é o anunciante quem escolhe onde a mensagem aparece. Você não define preço nem aprova quem aparece. É receita passiva, não negociação.
  • Combinar por fora. É o que a maior parte do mercado faz: acerta o valor no privado, recebe por PIX, publica. Tem a vantagem óbvia de o dinheiro cair direto na sua conta, com custo por transação conhecido, e a desvantagem de não ter nenhuma garantia embutida. Se optar por esse caminho, escreva antes o combinado mínimo: valor, data, quanto tempo no ar, se fica fixado e se há exclusividade.

Quando não vale vender espaço nenhum: se o canal gratuito é o topo do seu próprio funil e a base ainda é pequena, cada post de terceiro custa proporcionalmente muito mais do que rende. Abaixo de um certo tamanho, o espaço vale mais para você do que qualquer um pagaria por ele. O papel da vitrine gratuita nesse funil está em o que postar no canal gratuito.

Erros comuns

  • Chutar o preço. Sem a divisão do custo de oportunidade, qualquer valor parece razoável, e quase sempre o chute fica abaixo do piso.
  • Aceitar a proposta como ela chega. O mecanismo permite editar texto, mídia e preço antes de aceitar. Quem responde só sim ou não está usando metade do recurso.
  • Vender exclusividade sem cobrar por ela. Prometer "só o seu post esta semana" é vender vários espaços pelo preço de um.
  • Publicar e apagar cedo. Além de quebrar o combinado, não gera receita: antes de 24 horas o valor volta integral para quem pagou.
  • Transformar o canal em mural. Cada patrocinado aceito reduz o valor do próximo, porque dilui a atenção que dá preço ao espaço.

Conclusão

Vender espaço no seu canal deixou de ser uma negociação de confiança e virou uma negociação de preço, com aprovação sua, edição de valor antes do aceite e uma permanência mínima de 24 horas garantida pelo mecanismo. O que continua sendo decisão sua é o número, e ele não deveria sair de chute: divida a receita do mês pelo número de posts de oferta e você tem o piso.

O próximo passo é calcular esse piso hoje, antes do próximo convite chegar, e escrever numa linha o que você não publica em nenhuma hipótese. Quem tem os dois prontos negocia em dois minutos, sem descontar preço por insegurança. E vale lembrar de onde vem a receita que dá valor a esse espaço: é a venda do seu próprio acesso que define quanto ele custa. Na Afroditte essa venda tem custo fixo de R$ 0,69 por transação, sem mensalidade e sem percentual, o que mantém a conta do piso simples de refazer todo mês. Crie sua conta.

Perguntas frequentes

O que é um post sugerido no Telegram?

É o recurso oficial em que um inscrito envia uma proposta de publicação para o canal por mensagem direta, podendo oferecer Telegram Stars ou Toncoin ao dono em troca de publicar. O dono aceita, edita ou recusa, e pode alterar texto, mídia e preço antes de aceitar.

Quando o dono do canal recebe o valor do post patrocinado?

Vinte e quatro horas depois da publicação, segundo o anúncio oficial do recurso. Se o post for removido antes desse prazo, o Telegram devolve o valor integral a quem pagou. Na prática, é uma cláusula de permanência mínima embutida no mecanismo.

É melhor receber em Stars ou em Toncoin?

O próprio anúncio do recurso observa que o Toncoin é mais seguro para quem recebe, porque o pagamento em Toncoin não pode ser reembolsado pelo comprador, enquanto o pagamento em Stars tem janela de reembolso por meio de provedores terceiros.

Quanto cobrar por um post patrocinado?

O piso razoável é o que aquele espaço já rende vendendo o seu próprio produto. Se o seu canal fatura R$ 2.400 por mês com seis posts de oferta, cada post carrega cerca de R$ 400, e aceitar menos que isso é vender o espaço com desconto.

Posso mudar o preço que o anunciante ofereceu?

Pode. O recurso permite ao dono sugerir edições antes de aceitar, incluindo alterar o texto, a mídia e o preço. Ou seja, a proposta que chega é um ponto de partida, não uma oferta a aceitar ou recusar em bloco.

Isso é a mesma coisa que o programa de anúncios do Telegram?

Não. No programa de anúncios o anunciante compra na plataforma do Telegram e o dono do canal recebe metade da receita, sem escolher o anunciante. No post sugerido a negociação é direta com você, o preço é seu e a aprovação é sua.

Vale a pena aceitar post de concorrente?

Quase nunca. Um post que leva a sua audiência para uma oferta parecida com a sua custa mais do que o valor recebido, porque você pagou para construir aquela audiência e está entregando a parte mais quente dela para outra pessoa converter.

Dá para combinar o post por fora, direto no PIX?

Dá, e é o que a maior parte do mercado faz. A diferença é que fora do mecanismo não existe devolução automática nem janela de permanência: a garantia dos dois lados passa a ser a sua palavra e o que estiver escrito antes.

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